sexta-feira, 26 de outubro de 2018

É possível ter uma casa geminada com privacidade?

Cuidado ao comprar uma casa geminada!

A privacidade é um dos principais motivos para as pessoas não desejarem comprar casas geminadas. Dividir paredes pode fazer você participar da vida do seu vizinho de forma muito indesejada.

Veja agora como esta questão pode ser resolvida apenas com um bom projeto de arquitetura, sem precisar gastar com isolamento acústico ou paredes duplas. Não é mágica! É apenas bem pensado...

Como ter privacidade em uma casa geminada?


Paredes da suíte: 3 formas de resolver

1. Evitar geminar paredes da suíte
Áreas circuladas em vermelho são os espaços abertos criados para evitar geminar paredes da suíte. (projeto: Montanari Arquitetura - 2011)

A melhor solução, apesar de nem sempre ser possível porque depende de uma largura mínima de cada casa geminada (neste caso, temos 6 metros para cada casa). Neste projeto da Montanari Arquitetura, foi possível criar este espaço para que as suítes das duas casas não dividissem nenhuma parede. De quebra, este espaço aberto resultante foi utilizado como área técnica para ar condicionado split. Serviu também para criar mais uma fonte de iluminação natural para o espaço da escada (tijolos de vidro). 

Esta solução é mais difícil de aplicar quanto menor a largura do terreno de cada casa.


2. Geminar apenas a parede do armário

Para quando a solução anterior não for possível: esta solução é eficiente quando o projeto do quarto é de tal forma que "obriga" o usuário a deixar o armário em uma parede específica para obter o melhor aproveitamento do espaço. No projeto a seguir isto ocorre.
Para ter a maior área de armário, a cabeceira da cama fica melhor posicionada conforme este layout ou na parede da janela. Este é o layout que permite também a circulação mais direta e desobstruída até o banheiro da suíte.
(projeto: Montanari Arquitetura - 2012)

Pode-se também trabalhar com a posição das tomadas do quarto, que será mais um estímulo para que o layout do usuário se mantenha conforme o que foi originalmente pensado.

Assim, não se tem apenas uma parede entre você e seu vizinho: tem a parede e o armário, cuja composição e configuração aumentam a absorção acústica (chapas de MDF compondo uma câmara de ar fechada, com materiais de baixa densidade - roupas - auxiliando na absorção).


3. Não geminar a parede da cabeceira

Se nenhuma das soluções acima for possível, o mínimo que recomendamos é que a parede da cabeceira não seja geminada, por ser a parede que mais propaga ruído por impacto (cama e criado mudo normalmente ficam encostados nela, e ruídos de objetos colocados sobre estes são propagados pela parede, ou mesmo o impacto destes na própria parede).

Se, de qualquer forma, a parede de cabeceira de algum dos quartos precisar geminar com a da outra casa, que pelo menos seja a do quarto menor ou de um quarto cujo layout possa ser diferente.


Demais paredes

No exemplo a seguir, os clientes desejavam construir quitinetes em uma porção lateral do terreno de sua casa. Tanto a casa quanto a edificação das quitinetes tiveram sua distribuição pensada de tal forma que não prejudicasse a privacidade da casa ou das quitinetes. Mesmo a área de lazer nos fundos da casa está preservada do campo de visão desta edificação.
Não há problema de privacidade em dividir paredes entre as áreas de serviço, banheiros, depósitos e garagens (projeto: Montanari Arquitetura - 2010-2011)

Veja como apenas as áreas de serviço, depósito e garagem da casa estão dividindo paredes com a edificação das quitinetes, onde também há o cuidado de dividir paredes apenas com sua área comum. As quitinetes em si não estão em contato de paredes com a casa.


Em último caso...

Especialmente em casas geminadas de alto padrão, às vezes é utilizada a solução de parede dupla com lã de vidro ou de rocha entre elas. Dependendo do caso e do tipo de parede, apenas o vazio entre as paredes pode ser suficiente, sem isolamento adicional.

É uma solução que encarece a obra, mas é eficaz. Pode valer a pena em alguns casos por conta do aproveitamento do terreno ou da própria distribuição da planta baixa.

Além da parede dupla, paredes mais espessas entre unidades também atenuam barulhos como vozes e som alto. O material da parede deve ser preferencialmente de baixa densidade.


Contrate sempre um bom profissional

A privacidade em uma casa geminada é apenas um aspecto entre tantos outros que compõem um bom projeto.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Retrofit de imóvel comercial



O antigo galpão industrial/comercial possuía um grande potencial. 

Diversas características da construção faziam sua reforma valer a pena. Estas eram principalmente relacionadas ao fato de ter havido um bom projeto arquitetônico original (pé-direito alto, boa modulação estrutural, etc.), e ao bom estado de conservação estrutural e da cobertura.
Projeto e execução
A grande preocupação do cliente com a segurança do imóvel foi o desafio deste projeto, porque fortalecer as aberturas poderia tornar a construção apática em relação à rua. Esta demanda foi refletida em elementos metálicos que funcionam como brises para as grandes aberturas da área de escritório. O pergolado decorativo da esquina é o elemento de transição entre público-privado que suaviza visualmente a intenção do conjunto de cercas.
Galpão antes da reforma
A construção datava dos anos 70, tendo sido originalmente uma fábrica de beneficiamento de café. A área interna foi reformada de modo a priorizar grandes aberturas na área de escritório, que foi localizada na área lateral por ser menos exposta à rua principal e haver menos ruídos externos de veículos. Um anexo que não pertencia ao projeto original foi demolido para melhorar a iluminação natural do escritório e aumentar a área externa de jardim.
Projeto e execução da área externa - brises metálicos que atuam como cercas


Área de escritório: staff e diretoria


A área de refeitório foi especialmente pensada para ter um clima lúdico e descontraído. Foi separada da área de staff através de portas de vidro com plotagem jateada, para separar visualmente mantendo iluminação natural.

Refeitório
Área de projeto: 589 m² (show room, escritório, garagem e depósito)
Projeto arquitetônico: Montanari Arquitetura (Arq. Me. Ketlin Montanari)

Execução: GD Construções - Pomerode
Imagens: Montanari Arquitetura

segunda-feira, 26 de março de 2018

Casa grande, terreno pequeno


O terreno possuía apenas 300m² e devia abrigar 3 unidades residenciais, 5 vagas de garagem, uma grande sacada com churrasqueira e spa em uma das unidades, sacada com churrasqueira na outra unidade e ainda precisava sobrar uma área comum de jardim para as famílias. Aliás, o "verde" era um elemento importante para deixar agradável e com "cara de casa" o que provavelmente se tornaria uma massa construída e excessivamente densa numa rua aonde casas térreas e pequenas predominavam.

Os índices construtivos e recuos do terreno foram explorados ao máximo, tendo observado também a área permeável mínima exigida pela Prefeitura, o que tornou um verdadeiro desafio fazer com que cada unidade possuísse boa iluminação e ventilação naturais, cuja insolação adequada a cada tipo de ambiente também fosse observada (sol da manhã nos quartos, etc.).

Devido ao sol da tarde predominar na área frontal da casa, grandes venezianas móveis de correr foram projetadas para cobrir a área de lazer, conforme a necessidade.

Varanda da unidade de 2 quartos, com as venezianas recolhidas na lateral

A residência localizada no bairro da Velha em Blumenau SC possui 3 unidades de uma mesma família. O andar de baixo possui 2 unidades, sendo uma de 2 quartos com suíte (98,15 m²) e a outra unidade de um quarto (suíte) com lavabo (60,17 m²). O andar de cima abriga a maior unidade de 160,10 m², de 3 quartos sendo 1 suíte master, um pequeno escritório e ampla área social. Há ainda um subsolo semi-enterrado que abriga as 5 vagas de garagem e um depósito.

A unidade superior possui pé direito mais alto na área social e sacada.

O uso de cores escuras foi feito com cuidado, já que insolação direta em uma parede escura pode superaquecer seu ambiente interno e a frente da casa possui grande insolação no período da tarde.

O resultado, segundo o próprio cliente, é de uma casa que não aparenta ter a densidade construtiva que tem. Segundo a arquiteta, a casa também não agride volumetricamente a rua de pequenas casas por conta de sua área frontal bem trabalhada, que se integra visualmente na rua que não possui muros ou portões opacos, seguindo a permeabilidade e transparência frontal que já é a tipologia da rua hoje.
Vista das duas laterais da casa
Pode-se destacar como estratégias deste projeto para disfarçar a densidade construtiva: 

- A linearidade horizontal da volumetria frontal da casa (reduz visualmente a altura);

- O uso das cores;

- O uso de marquises e elementos que avançam à frente, fazendo o volume atrás ou embaixo parecer menor e tornando toda a edificação mais leve;

- A concentração de áreas de lazer abertas na frente da casa;

- A transparência do muro frontal (que não compromete a privacidade da unidade de baixo por esta estar acima do nível da rua e possuir outros elementos para isso).

Porém, outros casos de projeto podem ter diferentes estratégias, dependendo da configuração do terreno, da volumetria do entorno e das necessidades do cliente.

Área de projeto: 584 m²
Dormitórios: 3 (1 suíte master), 2 (1 suíte) e 1 (1 suíte)
Projeto arquitetônico: Montanari Arquitetura (Arq. Me. Ketlin Montanari)
Imagens: Montanari Arquitetura

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Como escolher o apartamento ideal? 7 dicas de arquiteta

Seja (chato) exigente na hora de comprar o seu apartamento (para o desespero do seu corretor!).

Confira as dicas da arquiteta Ketlin Montanari para identificar um ambiente com qualidade arquitetônica e descubra que, do ponto de vista de um arquiteto de edifícios residenciais, isso vai muito além de tamanho e distribuição de ambientes.

1. Sol da manhã nos quartos

Esta é a primeira questão básica. Um quarto que receba o sol da tarde (na janela ou nas paredes) será mais quente durante a noite, e um quarto voltado a sul que não recebe sol em nenhum momento do dia não é saudável, pois está mais suscetível ao desenvolvimento de fungos e ácaros. O sol da manhã é o ideal para este ambiente da casa.

2. Evitar apartamentos cujo sol entre 15h00h e 18h incida diretamente sobre paredes/aberturas grandes, porque isso aquece muito o ambiente. Se você deixar o apartamento fechado durante o dia e voltar para casa ao final do dia, sentirá a necessidade de ligar imediatamente o ar condicionado, porque o calor de todo esse período permanecerá na casa. Situação ideal: área social com aberturas grandes de orientação sul/sudeste (sem incidência direta de sol/ incidência leve de sol da manhã).
Pergunta: Posso resolver isso colocando uma cortina black-out para evitar a insolação direta no apartamento?
Resposta: Qualquer cortina ou persiana do lado de dentro não evita o calor de entrar no apartamento. Uma proteção solar efetiva neste caso precisa ser externa à abertura de vidro, como venezianas, persianas externas, brises, etc.
O brise vertical é a solução ideal para barrar o sol da tarde, pois faz isso sem barrar a visão externa e sem escurecer tanto o ambiente. (fotos: pesquisa na internet)















Outra solução interessante é o brise vegetal, que melhora o clima de áreas que recebem sol da tarde, para aplicar em janelas ou paredes cegas. Alguns possuem inclusive irrigação automatizada. (fotos: pesquisa na internet)

3. Venezianas/persianas externas nas aberturas - Qual a ideal?

(imagem: pesquisa na internet)
Há muitos apartamentos com venezianas de alumínio ou PVC nas janelas dos quartos. O exemplo da esquerda limita muito a iluminação do ambiente, porque só permite abertura da metade do vão. O ideal para este tamanho de janela é a persiana horizontal externa, que permite a abertura total do vão de vidro. Elas podem ser de alumínio, PVC, madeira, etc. Menos comuns e mais antigas, algumas venezianas são de correr verticais e se abrem para além do vão de abertura, proporcionando também a abertura total do vão.

4. Ventilação cruzada

Pergunta: O que é ventilação cruzada?
Resposta: É quando o vento entra por uma abertura da unidade e sai por outra abertura da mesma unidade, e vice-versa, tornando o ambiente arejado e saudável.

Exemplos mais comuns de apartamentos (desenho/foto: Ketlin Montanari)
Se o apartamento possui 2 faces voltadas ao exterior (exemplo 2), você sentirá a ventilação cruzada. Se o apartamento possuir 3 faces voltadas ao exterior (exemplo 1), a ventilação cruzada será ainda mais efetiva, é o caso ideal. Esse tipo de situação temos em prédios com 2 ou até 4 apartamentos por andar.
Porém, em muitos casos de apartamentos menores, a unidade possui apenas 1 face voltada ao exterior (exemplo 3). É o que acontece em prédios com 6 ou mais unidades por andar, cujas unidades do meio da torre geralmente possuem apenas uma face externa.

A solução para esse tipo de apartamento é possuir aberturas amplas e ter pouca profundidade na direção do miolo do prédio, possibilitando assim que o ar se renove mesmo sem ventilação cruzada. Veja os exemplos:

Exemplo "A" (imagem: Montanari Arquitetura/ Obvio Digital Rendering)
Exemplo A: No edifício Villa Verde projetado por Montanari Arquitetura, atualmente em construção, temos aberturas amplas e pouca profundidade na direção do "miolo" do prédio.

Exemplo "B" - deficiência de ventilação e iluminação (imagem: folder impresso de construtora)
Exemplo B: Neste exemplo, a profundidade é muito maior na direção em que não temos aberturas, fazendo com que o ar não se renove tão facilmente. O ambiente com asterisco (sala) é o mais prejudicado, tendo deficiência inclusive na iluminação, por ser tão profundo e estar tão longe das aberturas. É um apartamento muito grande para ter apenas uma face externa; é algo que não funciona bem.

Finalizando a questão de ventilação cruzada, deve-se observar que nem todo apartamento com 2 faces externas terá essa ventilação, já que fatores externos também influenciam, como a altura do apartamento (quanto mais alto, maior a ventilação natural) e a posição de prédios vizinhos, quando muito próximos.

5. Paredes dos vizinhos

Outra questão importante de qualidade projetual; observar a planta baixa do pavimento tipo para saber se existe alguma situação desconfortável, como:

- A parede do quarto gemina com a parede da área de serviço ou cozinha do vizinho (quando a máquina de lavar estiver ligada ou ele estiver lavando a louça, vai prejudicar seu descanso);
Situação desconfortável: Quarto divide parede com área de serviço do apartamento vizinho (imagem: folder impresso de construtora)
- A parede do quarto gemina com a parede do elevador (também é possível ouvir barulho, principalmente se for um andar alto próximo à casa de máquinas);
- A parede do quarto gemina com a parede do home theater do vizinho;
- A parede do quarto principal gemina com a parede do quarto principal do vizinho. O ideal é que, se possível, os quartos geminem paredes apenas com a própria unidade à qual pertencem.

6. Dinâmica urbana da região

Proximidade com mercados, padarias, comércio, transporte... A finalidade disso não é apenas a sua comodidade de poder resolver várias coisas sem precisar sair de carro.

Segundo Jane Jacobs em Morte e Vida das Grandes Cidades, quanto mais olhares uma rua recebe, mais segurança ela terá. Uma rua com pouco movimento e mais tranquila também é menos segura, por isso o movimento e envolvimento de pedestres na região do prédio é importante. Isso acontece em ruas com diversidade de ocupação, com comércio no térreo de prédios residenciais, por exemplo. Outro bom exemplo de rua é a que não possui muros tão altos e opacos.
Em uma rua tranquila, é importante que haja elementos de dinâmica urbana, como comércio ou parques/praças públicas iluminadas que sejam utilizados pela vizinhança. Assim, haverá a interação humana que torna as ruas mais seguras. Muitas cercas elétricas e muros altos são soluções emergenciais para locais aonde a dinâmica urbana é deficiente e você não se sentirá seguro ao andar pela região. (Imagem: Montanari Arquitetura/ Obvio Digital Rendering)

7. Exija arquiteto!

Procure saber quem projetou o edifício. Bons arquitetos costumam ter consciência de todas as questões listadas acima (e muitas mais) ao projetar um edifício.

Além destas dicas, é claro que há mais questões a serem levadas em consideração ao escolher um apartamento: se há infiltrações, se é possível instalar ar condicionado split, o estado de conservação do edifício, se há tomadas suficientes, se cabe tudo o que você precisa e na configuração ideal, etc.

Se você ficar na dúvida e quiser auxílio profissional para tomar a decisão, pode contratar consultoria de um arquiteto, ao valor de hora técnica.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Projetos de Interiores



Como os projetos de construções, os interiores feitos pela Montanari Arquitetura também são feitos com esmero, mesmo não sendo o foco do escritório. Esta imagem mostra como os projetos "nascem" no papel, para depois serem desenvolvidos no computador.

Quarto de bebê - menino

Para um pequeno cliente que ainda não nasceu, este quarto de bebê reflete a personalidade dos seus pais, que desejavam algo fora do comum e vão desde cedo influenciá-lo com rock n' roll! (detalhe para a régua medidora de altura em forma de guitarra, feita com exclusividade para este projeto).
Canto de brincar foi criado apesar da necessidade de ter um berço e duas camas. 

Um armário já existente no quarto foi aproveitado e, mesmo com a necessidade de ter o berço e duas camas, ainda coube um cantinho de brincar, com um quadro negro e porta livros.

Área de projeto: 10,27m²
Projeto de interiores: Ketlin Montanari (Montanari Arquitetura)
Imagens: Ketlin Montanari (2018)

Quarto para 2 meninos

Com um bom projeto de móveis planejados, é possível acomodar 2 crianças num quarto de 7,32m² e todos os seus pertences, e ainda assim termos um espaço agradável.
Caixas em MDF com rodízios, para guardar brinquedos, foram uma solução para aproveitar espaços de outra forma vazios. A cama de cima não deixa de ter seu criado mudo; a estante lateral.
A escada para acesso à cama de cima é feita de MDF 3 mm e pertence ao próprio armário, onde se colocam prateleiras para aproveitar também este espaço, mesmo separando-o da área de cabideiros.

Área de projeto: 7,32m²
Projeto de interiores: Ketlin Montanari (Montanari Arquitetura)
Imagens: Ketlin Montanari (2014)


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Casa Vila Nova


O projeto abaixo é de uma residência no bairro Vila Nova, Blumenau SC.
Com 237m² de área total construída em terreno de 420m², a configuração volumétrica da casa é o seu maior diferencial.
O terreno possuía profundidade suficiente para implantar a casa de forma mais linear em direção aos fundos, o que fez sua volumetria se espalhar, criando volumes quebrados, espaços livres e um pátio frontal cuja profundidade afasta a entrada principal da rua, tornando-a menos exposta a olhares de curiosos. A caixa d'água, geralmente posicionada nos fundos para ter seu volume disfarçado, ganhou destaque na frente, em equilíbrio com as demais formas da casa.
Área de lazer e piscina - casa Vila Nova
Seguindo a fluidez da distribuição dos volumes, foram criados elementos vazados para dar a sensação de que a casa é constituída de paineis, o que tornam a casa menos monolítica e mais permeável, receptiva.
Elemento vazado é algo que aparece também em pequena escala, no painel frontal que protege a garagem. Uma parede de efeito cobogó criada com tijolos dispostos de forma exclusiva dispensam o uso do cobogó propriamente dito. Outra peculiaridade de tijolos acontece no revestimento da parede da caixa d'água: Alguns tijolos de maior espessura criam um detalhe, o que é levemente inspirado na Hollyhock House de Frank Lloyd Wright, onde ele explorava a inclusão de um conceito de adorno no modernismo.
Área social e de lazer integradas. Abertura ampla para os fundos com orientação sul.
A área social tem conceito aberto, conectando totalmente estar, jantar, cozinha e área de lazer.

Há poucas aberturas para a fachada oeste (apenas de banheiros) para evitar o sol da tarde. A única abertura oeste da área social é esta na parede da escada. Como é uma abertura baixa, o sol ficará apenas no jardim que se desenvolve embaixo da escada e continua na área externa. As demais aberturas na área social garantem boa iluminação natural durante o dia, com pouca insolação direta.


FICHA TÉCNICA
Área de projeto: 237m²
Dormitórios: 3 (1 suíte master)
Projeto arquitetônico: Ketlin Montanari (Montanari Arquitetura)
Projetos complementares: Joanin Menegon
Imagens: Ketlin Montanari


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Soho - Projeto em andamento

Com seu projeto em fase de conclusão da etapa executiva e incorporação, já aprovado na Prefeitura de Blumenau, o residencial Soho será um novo edifício do bairro Escola Agrícola.

Imagem prévia volumétrica - Estudos de revestimentos

O edifício constitui-se em 15 unidades residenciais com 5 tipologias diferentes de plantas baixas.
Imagem prévia volumétrica
Imagem prévia volumétrica
No Plano Diretor, a Prefeitura permite à torre altura livre, entretanto é preciso que ela sofra variações de recuo de acordo com a altura. Por isso, e para aproveitar melhor o potencial construtivo do terreno, foi decidido que subiríamos mais pavimentos e usaríamos este recuo para diferenciar os pavimentos tipo; começamos com 5 pavimentos de 2 apartamentos por andar e nos últimos 5 pavimentos temos apenas 1 apartamento por andar, maior que os demais (com exceção do apto. duplex da cobertura, que é ainda maior).
Amplas aberturas no apartamento com orientação sul/ sudeste 
(imagem prévia apto. 2 suítes)

O maior desafio deste projeto foi conciliar os diferentes pavimentos tipo e os 3 andares de garagens, bem como sua distribuição de pilares. Também foi um desafio comportar as 15 unidades desejadas pelo cliente e suas respectivas áreas, sendo que trabalhávamos sempre com os limites de área construída máxima e recuos mínimos da torre.

Em breve, imagens oficiais do lançamento.
Imagens: Montanari Arquitetura/ Obvio Digital Rendering

FICHA TÉCNICA
Área de projeto: 3.443,96 m²
Cliente: Grupo M7 Construtora
Projeto arquitetônico: Montanari Arquitetura
Projeto estrutural: Brandes Engenharia
Projeto hidráulico: Egeplan Engenharia e Consultoria



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Casa 10x10

Vista da implantação em conjunto com praça linear pública
Projeto apresentado ao prêmio Bim.Bon 2014 Arquitetura brasileira - Categoria casa 10x10 indústria mineira. Além de sistemas construtivos e materiais diferenciados, projeto prioriza flexibilidade de planta baixa e diferentes formas de implantação.
O maior objetivo para a concepção da casa 10x10 foi a flexibilidade dos espaços para diferentes configurações, para que atendesse diferentes públicos e contextos de implantação utilizando-se basicamente de uma mesma estrutura padrão, a ser replicada diversas vezes em caso de implantação em conjunto. Uma ampliação na casa também deveria ser possível, sem que isto comprometesse a qualidade de iluminação e ventilação naturais.

Estrutura metálica, paredes de concreto multilaminar, brises em ecomadeira, telhas de PVC, forro de OSB; A facilidade construtiva dos materiais utilizados deveria ir ao encontro de uma arquitetura que a representasse: flexível, racional, passível de mudanças e personalizável.

A solução encontrada para obter esta flexibilidade com qualidade espacial foram duas estruturas retangulares de 10x3,65m que se interceptam, sendo uma mais alta com beirais e cobertura inclinada para a área social, e a mais baixa para área íntima e de serviço.
A casa completa, com todos os acabamentos, laje de piso e inclusive louças, metais e bancadas, foi orçada em R$ 81.284,97 (plugin Bim.bon com base de dados da SINAPI e fornecedores)
Como a casa possui permeabilidade para todos os lados e mais de uma opção de frente em todas as suas variações, há muitas formas de implantação da casa individual ou em conjunto, em vários níveis de densidade.

Imagens/ projetos: Montanari Arquitetura/ Ketlin Montanari

terça-feira, 29 de abril de 2014

Área de lazer residencial (Processo criativo e projeto)

O projeto a seguir é de uma edícula de área de lazer a ser implantada nos fundos de uma residência existente.
Para chegar neste resultado final, foi feito estudo de condicionantes naturais, visuais, aspectos funcionais, técnicos, etc.
Serão apresentados alguns desses itens nos quadros seguintes, num resumo do processo de concepção.

Processo Criativo

A implantação será nos fundos desta casa, neste terreno:
O programa de necessidades envolvia:
* Área de lazer/churrasqueira totalmente independente da casa, com lavabo e área aberta de deck;
* Área de serviço de fácil acesso ao segundo pavimento da casa;
* Não fazer alteração alguma na porta/janelas existentes da casa.

Vou representar área de lazer e área de serviço por estes volumes iguais, por enquanto:
A ideia inicial dos clientes era a seguinte:
Mas desta forma, comprometeríamos a vista e insolação da janela da cozinha. Esta construção também barraria a bela vista que se tem para a mata ciliar de preservação permanente daquele lado, e voltaria a vista de quem se encontra na área interna do salão de festas para o grande muro do outro lado do terreno.

Para não prejudicar nenhuma janela existente e ainda deixar a área de serviço não tão longe quanto o porão, colocamos uma escada para o nível de terreno mais próximo da casa...
E posicionamos os 2 volumes lado a lado:
Com o deck voltado para a vista que mencionei antes:
Porém, desta forma, estamos ocupando demais o terreno com construção, ou pelo menos é a sensação que esta implantação passa. Precisa também ser de uma forma que torne possível ter uma área ensolarada para estender roupas ligada à área de serviço, e não visível da área de festas...
Com a área de serviço acontecendo no mesmo nível da casa, a praticidade ficou maior, e ainda sem barrar a visual direta e insolação das janelas existentes.

Adicionando uma laje para estender roupas e definindo a área de lazer...
Adicionando o deck com estrutura para cobertura retrátil de lona...
O projeto apresentado aos clientes ficou assim:
Eu estava trabalhando com as áreas mínimas fornecidas pelo cliente, porque quase sempre é mais fácil ampliar as áreas posteriormente do que diminuí-las.
Analisando o projeto, os clientes acharam interessante aumentar algumas coisas e inclusive criar um terraço-playground com grama sintética ao invés de ter cobertura retrátil, e o projeto ficou conforme segue:
As cores empregadas estão representando a setorização dos espaços. A área de serviço pertence à casa (então possui a mesma cor dela) e a área de lazer é o ambiente independente do resto.
A cor preta dá profundidade ao muro baixo, ao mesmo
tempo que destaca a vegetação junto a ele.
O volume do grande muro da lateral da casa não é sentido da área de lazer,
que está totalmente voltada para as vistas mais abertas.