terça-feira, 21 de abril de 2020

A Arquitetura pós pandemia

Diante da situação atual, muitos aspectos do mundo como o conhecemos precisam ser reinventados ou aprimorados para se adaptarem à nova realidade. Isso é global: veremos mudanças pequenas e grandes em detalhes do dia a dia e logística de diversos processos... Nada mais será como antes e as edificações em que vivemos, trabalhamos, estudamos, confraternizamos (enfim, frequentamos) têm um grande papel nisso tudo. Isso influencia na Arquitetura? Com certeza! Mas o que, exatamente, veremos mudar na Arquitetura?

Tudo sobre Arquitetura que se relaciona com a saúde do usuário: ventilação, iluminação, a forma com a qual ela afeta nossa relação com o meio ambiente... São assuntos muito amplos que afetam de forma sistêmica todo o projeto e, claro, as construções resultantes.

Sendo mais específica, para começar, as normativas: provavelmente veremos atualizações no desempenho mínimo das NBRs relacionadas à salubridade de edificações, ou a inserção de novos parâmetros, principalmente em ambientes comerciais, corporativos, escolares, hospitalares e de grande concentração de pessoas no geral.

Assim como normas de prevenção de incêndio foram sendo aprimoradas com o passar do tempo (tendo acidentes e tragédias como estudos de caso que embasaram essas mudanças), o coronavírus é um fator comparável com os incêndios nesse contexto e terá impacto considerável nas novas edificações. É um fator quase sem precedentes, porque já existem normativas relacionadas à salubridade de ambientes internos (voltadas à questão de renovação de ar, que tem relação com doenças), mas agora haverá um destaque na questão de evitar disseminação de vírus.
Também haverá um maior interesse de diversos órgãos públicos e privados em tornar obrigatórias tais normativas. Além disso, mesmo sem ser (ainda) obrigatórias, arquitetos e engenheiros estarão mais atentos a essas questões (ou deveriam) ao projetar novas edificações e seus sistemas.

Aproveito para chamar a atenção para esta matéria que escrevi há alguns meses sobre a ventilação , um dos fatores-chave das mudanças iminentes. Espero que a consciência da importância da ventilação e demais aspectos de conforto ambiental não fique restrita a uns poucos profissionais que estudaram isso mais a fundo. Isso é o que ainda chamam de "arquitetura sustentável", um termo que eu acho que deve ser considerado redundante em alguns anos, porque toda arquitetura precisa ser "sustentável".


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Áreas de lazer

O que dá qualidade a um espaço de lazer de uma casa?
De acordo com minha experiência como arquiteta, listei estas diretrizes, que foram publicadas pela revista Klie. A matéria foi ilustrada com nosso último projeto de área de lazer:
Para que uma área de lazer funcione bem, o ideal é que seja pensada em conjunto com o projeto da casa. Além disso, se a casa já for concebida considerando essas diretrizes, a dinâmica dos espaços será ainda melhor. Para orçar a casa perfeita para as suas necessidades e seu estilo de vida, entre em contato conosco!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Arquitetura e o meio ambiente

O que é a sustentabilidade no ambiente construído? Entenda na nossa matéria publicada pela Revista Klie, ilustrada com um projeto nosso:
Esta é uma explicação geral e resumida sobre arquitetura sustentável. Se você quiser entender melhor e deseja construir de forma mais sustentável, entre em contato conosco!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Arquitetura e sua saúde - parte II

Recentemente, a revista Klie publicou a matéria a seguir, que eu havia preparado para postar aqui no blog e acabei adaptando para publicar na revista.

O conteúdo a seguir é o que eu tinha preparado como "parte II" para o blog. Segue a matéria, originalmente publicada na primeira edição da revista Klie:


Nela, eu explico os aspectos de ventilação em edificações e os problemas que podem ocorrer (conforto e saúde do usuário) caso este aspecto seja negligenciado em um projeto de Arquitetura.

Link para a publicação original: https://klie.com.br/revista/a-arquitetura-influencia-na-sua-saude/

Na segunda edição da revista, foi publicada uma "parte II" que se refere à postagem "parte I" que já fiz aqui em abril de 2019, mas com algumas imagens inéditas e texto também. Segue o link: https://klie.com.br/revista/a-arquitetura-influencia-na-sua-saude-2/

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Como a arquitetura influencia na sua saúde? Parte I


Sim! Um projeto de arquitetura influencia diretamente na saúde dos moradores de uma casa, dos usuários de um escritório, dos pacientes de uma clínica, etc. Entenda como!

Mesmo de forma bem resumida, há muito o que se falar sobre isso. Portanto, esta é a primeira de 3 postagens sobre o assunto, começando com ILUMINAÇÃO NATURAL e POLUIÇÃO LUMINOSA.

A segunda postagem será sobre VENTILAÇÃO NATURAL e as consequências da sua falta (COVs e mofo), comentando também sobre quais consequências os COVs e mofo trazem à saúde;

A terceira será sobre MEIO AMBIENTE e as formas com as quais a arquitetura afeta nossa relação com este (impacto ambiental da construção, interações com o ambiente construído e a conexão com a paisagem natural).


Iluminação natural 

Imagem: João Jesus (Pexels)
A luz natural está relacionada ao "controle de inúmeros processos bioquímicos do corpo" - essenciais para a saúde humana - e também tem influência nos ciclos circadianos das pessoas (entenda o que é isso). O aumento da exposição à luz natural no ambiente de trabalho, por exemplo, pode proporcionar efeitos benéficos à saúde a longo prazo (fonte: Iluminação natural em edifícios de escritórios - artigo científico).

Por isso, é importante aprimorar, sempre que possível, a iluminação natural de casas, apartamentos, escritórios, clínicas, etc. Além disso, há a questão da economia de energia com iluminação artificial durante o dia.

Lembrando que luz natural não é o mesmo que insolação direta. Esta última pode prejudicar o conforto térmico da edificação, especialmente em aberturas que recebam o sol da tarde.

Na NBR 15575, a exigência mínima de iluminação natural é de 60 lux no meio do ambiente (residencial), nas áreas de permanência. Este valor é muito baixo, o mínimo para considerar que o ambiente não seja insalubre: atender a este mínimo, portanto, não significa que o projeto arquitetônico da edificação em questão possa ser considerado "bom" no aspecto da iluminação.

No projeto a seguir, grandes aberturas para os fundos da casa foram possíveis, graças à orientação solar da respectiva fachada, que quase não tem insolação direta (sul). Assim, tem-se iluminação natural sem que a casa se superaqueça com raios solares diretos nas grandes aberturas.
Esta e outras aberturas na área social da casa permitiram iluminação e ventilação naturais, bem acima do mínimo necessário para salubridade, garantindo qualidade de vida aos moradores. Projeto: Montanari Arquitetura

Vale lembrar que, em imóveis residenciais, a entrada de raios solares diretamente no ambiente interno é desejável, desde que controlada e que não comprometa o conforto térmico interno (ex.: sol da manhã nos quartos). Em escritórios, especificamente nos ambientes com mesas de trabalho, o controle deve ser mais rígido por conta do uso da edificação, para não causar ofuscamento ou desconforto térmico.

O exemplo a seguir é de uma edificação de escritórios cujas aberturas recebiam todo o sol da tarde. Notem como foi barrada a insolação direta, mas a luz natural continua iluminando o ambiente. Além disso, há menos contraste, o que é o ideal para um ambiente de trabalho.


Poluição luminosa noturna

Esta também tem influência nos ciclos circadianos de animais e também de humanos, e poucos sabem disso, mesmo entre arquitetos. A alta exposição à luz durante a noite aumenta o risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares em humanos, além de alterar o comportamento e ciclos de reprodução de diversas espécies de animais e insetos, afetando a biodiversidade (fonte/ entenda melhor neste link: https://ehp.niehs.nih.gov/doi/full/10.1289/ehp.117-a20).

O LEED, que é uma certificação de sustentabilidade para edificações da GBC, possui uma pontuação exclusiva para o projeto de iluminação externa da edificação e, basicamente, a regra é conforme esta imagem:
Imagem: poluicaoluminosa.blogspot.com

Para quem quiser saber mais, este link é bem esclarecedor sobre o assunto: https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1711-poluicao-luminosa-afeta-ciclos-naturais-dos-animais-dizem-pesquisadores.html

E este vídeo do Ciência Todo Dia, bem simples de entender: https://www.youtube.com/watch?v=V-GKt5NoSR8

Você quer um projeto com esse tipo de cuidado? Clique aqui e entre em contato!

Não perca as próximas postagens sobre a forma como a arquitetura influencia na sua saúde.


terça-feira, 19 de março de 2019

Engenheiro ou arquiteto? (primeiros passos para construir)


"Se você comprar um terreno e quiser construir uma casa, quem você contrata pra fazer o projeto: um engenheiro ou um arquiteto?"

Foi o que perguntei a uma amiga, porque tive a impressão de que ela não sabia o que eu fazia como arquiteta. A resposta dela confirmou minha suspeita:

"Acho que um engenheiro... É melhor, né?"

"NÃÃÃÃO!!!"

Eu não consegui conter aquele "não" exclamado, que dei acompanhado de um sorriso amarelo. 

A resposta dela é a noção que muitas pessoas têm. 

É normal que a gente não entenda de assuntos de outras áreas do conhecimento que não aquela na qual trabalhamos, e isso, dependendo da área, pode prejudicar nossas decisões.

Para construir uma casa, um condomínio de casas, um pequeno prédio, um grande prédio, qualquer construção, É UM ARQUITETO QUE VOCÊ DEVE PROCURAR PRIMEIRO.

O trabalho do engenheiro civil é fazer os projetos complementares, que são: projeto estrutural, elétrico, hidráulico e preventivo de incêndio. Dependendo da complexidade da construção ou do quanto o projeto é diferente do comum, o engenheiro pode ser consultado pelo arquiteto na fase inicial do projeto arquitetônico (ou no meio, ou no fim) para já alinhar/compatibilizar a arquitetura com os projetos complementares.

Este vídeo dos parceiros da Projeto Estrutural Online explica bem essa questão.



Além disso, o arquiteto deve ser o "maestro" de todo o processo da obra, como está explicado neste outro vídeo.

Inclusive, certa vez um construtor me perguntou: "Qual o limite de andares de projeto de construção que um arquiteto pode assinar?"

Confesso que a pergunta até me pegou de surpresa, porque eu nunca tinha ouvido falar em um limite. Isso é porque esse limite simplesmente não existe! 
Esta é mais uma dúvida que surge dessa noção equivocada sobre as atribuições de um arquiteto. 
O arquiteto pode ter responsabilidade técnica sobre projeto e execução de arquitetura de qualquer tipo de construção.

Portanto, para finalizar e deixar bem claro, leia esta resolução do CAU/BR que dispõe sobre as atribuições privativas do arquiteto e urbanista.

PROJETO ARQUITETÔNICO É COM ARQUITETO!

Tem dúvidas? Consulte-nos!


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Como escolher o terreno? (primeiros passos para construir)



Como ter maior segurança ao comprar um terreno? Como ter certeza de que se está fazendo a escolha certa? Tudo começa ao analisar se o terreno atende às suas necessidades: o que você quer construir vai caber no terreno? Além disso, outras questões precisam ser checadas.

Questões mais óbvias como localização, estética do lote/entorno e documentação não serão abordadas aqui. O que você precisa saber sobre a dinâmica urbana da região, está no item 6 desta postagem do blog.

1. Consulta para Construir da Prefeitura

Imagem: blumenau.sc.gov.br
Se você se interessou por um terreno em específico, é a primeira coisa que você deve pedir ao corretor de imóveis. Além de saber quantos metros quadrados poderão ser construídos no terreno em questão, você poderá saber de que forma pode ocupar o terreno, se existe tubulação ou córrego ao qual é necessário deixar recuo, entre uma série de outras limitações que o terreno possa ter.

Em Blumenau, por exemplo, é comum encontrar terrenos que estão em área de risco geológico, por conta de desabamentos que ocorreram principalmente de 2008 em diante. A cota de enchente ao nível da rua do terreno também aparecerá na Consulta, o que pode influenciar na sua escolha por um terreno ou outro, ou mesmo na forma da construção (térreo da casa mais elevado, elevar nível do terreno, etc.).

Para conseguir a consulta de um terreno, o processo é totalmente online, podendo ser realizado diretamente no site da Prefeitura de Blumenau, neste link: Consulta de Viabilidade

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Ao analisar a consulta, você pode precisar de consultoria profissional para:


a) Entender o quanto os índices e recuos podem limitar sua necessidade construtiva (área máxima permitida, quantos andares, como o recuo de um rio/córrego/tubulação vai impactar na implantação, etc.); 

b) Demais questões dependentes de um melhor entendimento do Plano Diretor municipal;

c) Saber quantas unidades, de que tamanho e quantas vagas de garagem será possível construir (para construtores de edifícios, pequenos condomínios residenciais, casas geminadas, etc.).
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Para estas questões e especialmente para a última, é comum ser necessária a consultoria de um(a) arquiteto(a), que fará um Estudo Preliminar para saber o que o terreno comporta e de que forma. 

Para entender melhor o que é um Estudo Preliminar, consulte este link do nosso blog >>> O que é um estudo preliminar? 


2. Insolação e ventilação

Pode não parecer importante, mas insolação ou ventilação deficientes podem não estar relacionadas somente a um projeto de arquitetura ruim.

Um terreno cercado por edificações muito mais altas que a sua pode prejudicar a insolação e ventilação da sua casa, o que pode acarretar em problemas de umidade que vão afetar a sua saúde e de sua família.
Neste exemplo extremo, a ventilação da casa foi comprometida. Além disso, dependendo da insolação, da cor e da refletividade dos paredões, isto pode também causar desconforto luminoso. Imagem: inhabitat.com

Em casos não tão extremos quanto o da imagem acima, mas com um ou dois lados de paredes cegas ou empenas altas de construções vizinhas nos limites do terreno, é importante conhecer a direção dos ventos dominantes da região para saber se a sua futura construção terá problemas de ventilação.

O mesmo pode ocorrer se o terreno ficar em uma encosta de morro, dependendo da posição da encosta em relação ao sol ou aos ventos dominantes.
Apesar de parecer uma ótima ideia, se o norte do terreno estiver na direção da encosta do morro onde a casa está, ela pode ter insolação deficiente (principalmente no inverno). Imagem: Casa Claudia
Por isso, para esta questão também pode ser necessária a consultoria de um(a) arquiteto(a).



3. Terreno com aclive ou declive

Dependendo do quão íngreme for o terreno, você terá maiores gastos com a estrutura da casa. O custo de uma casa pode aumentar em até 1/3 em relação à mesma casa construída em terreno plano (ou até mais, dependendo da situação geológica do terreno e de quantas paredes serão em "cortina de concreto"). Você pode utilizar esta informação para justificar um pedido de desconto, caso o terreno que você queira esteja caro por ser em um bairro nobre ou ter uma bela vista, por exemplo.


3. Sondagem do solo

É recomendada sempre, pois assim não haverá gastos surpresas com fundação. Geralmente é feita em fase de projeto estrutural, após a compra do terreno.

Sondagem de solo é um procedimento similar ao de uma radiografia médica: é possível checar a densidade das camadas que compõem o solo abaixo da superfície e também identificar se existe lençol freático.

Quanto mais alta a construção a ser estabelecida no terreno ou maior o aclive/declive do terreno, maior a importância da sondagem do solo, porque influencia no valor a ser gasto com fundação.


4. Consulte um arquiteto(a)!

Ainda está na dúvida? Então não hesite em consultar um arquiteto(a), que saberá orientar sua decisão da melhor forma. Na Montanari Arquitetura, o valor da consultoria para compra do terreno é gratuito caso você faça o projeto arquitetônico conosco. Clique aqui e entre em contato!


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

É possível ter uma casa geminada com privacidade?

Cuidado ao comprar uma casa geminada!

A privacidade é um dos principais motivos para as pessoas não desejarem comprar casas geminadas. Dividir paredes pode fazer você participar da vida do seu vizinho de forma muito indesejada.

Veja agora como esta questão pode ser resolvida apenas com um bom projeto de arquitetura, sem precisar gastar com isolamento acústico ou paredes duplas. Não é mágica! É apenas bem pensado...

Como ter privacidade em uma casa geminada?


Paredes da suíte: 3 formas de resolver

1. Evitar geminar paredes da suíte
Áreas circuladas em vermelho são os espaços abertos criados para evitar geminar paredes da suíte. (projeto: Montanari Arquitetura - 2011)

A melhor solução, apesar de nem sempre ser possível porque depende de uma largura mínima de cada casa geminada (neste caso, temos 6 metros para cada casa). Neste projeto da Montanari Arquitetura, foi possível criar este espaço para que as suítes das duas casas não dividissem nenhuma parede. De quebra, este espaço aberto resultante foi utilizado como área técnica para ar condicionado split. Serviu também para criar mais uma fonte de iluminação natural para o espaço da escada (tijolos de vidro). 

Esta solução é mais difícil de aplicar quanto menor a largura do terreno de cada casa.


2. Geminar apenas a parede do armário

Para quando a solução anterior não for possível: esta solução é eficiente quando o projeto do quarto é de tal forma que "obriga" o usuário a deixar o armário em uma parede específica para obter o melhor aproveitamento do espaço. No projeto a seguir isto ocorre.
Para ter a maior área de armário, a cabeceira da cama fica melhor posicionada conforme este layout ou na parede da janela. Este é o layout que permite também a circulação mais direta e desobstruída até o banheiro da suíte.
(projeto: Montanari Arquitetura - 2012)

Pode-se também trabalhar com a posição das tomadas do quarto, que será mais um estímulo para que o layout do usuário se mantenha conforme o que foi originalmente pensado.

Assim, não se tem apenas uma parede entre você e seu vizinho: tem a parede e o armário, cuja composição e configuração aumentam a absorção acústica (chapas de MDF compondo uma câmara de ar fechada, com materiais de baixa densidade - roupas - auxiliando na absorção).


3. Não geminar a parede da cabeceira

Se nenhuma das soluções acima for possível, o mínimo que recomendamos é que a parede da cabeceira não seja geminada, por ser a parede que mais propaga ruído por impacto (cama e criado mudo normalmente ficam encostados nela, e ruídos de objetos colocados sobre estes são propagados pela parede, ou mesmo o impacto destes na própria parede).

Se, de qualquer forma, a parede de cabeceira de algum dos quartos precisar geminar com a da outra casa, que pelo menos seja a do quarto menor ou de um quarto cujo layout possa ser diferente.


Demais paredes

No exemplo a seguir, os clientes desejavam construir quitinetes em uma porção lateral do terreno de sua casa. Tanto a casa quanto a edificação das quitinetes tiveram sua distribuição pensada de tal forma que não prejudicasse a privacidade da casa ou das quitinetes. Mesmo a área de lazer nos fundos da casa está preservada do campo de visão desta edificação.
Não há problema de privacidade em dividir paredes entre as áreas de serviço, banheiros, depósitos e garagens (projeto: Montanari Arquitetura - 2010-2011)

Veja como apenas as áreas de serviço, depósito e garagem da casa estão dividindo paredes com a edificação das quitinetes, onde também há o cuidado de dividir paredes apenas com sua área comum. As quitinetes em si não estão em contato de paredes com a casa.


Em último caso...

Especialmente em casas geminadas de alto padrão, às vezes é utilizada a solução de parede dupla com lã de vidro ou de rocha entre elas. Dependendo do caso e do tipo de parede, apenas o vazio entre as paredes pode ser suficiente, sem isolamento adicional.

É uma solução que encarece a obra, mas é eficaz. Pode valer a pena em alguns casos por conta do aproveitamento do terreno ou da própria distribuição da planta baixa.

Além da parede dupla, paredes mais espessas entre unidades também atenuam barulhos como vozes e som alto. O material da parede deve ser preferencialmente de baixa densidade.


Contrate sempre um bom profissional

A privacidade em uma casa geminada é apenas um aspecto entre tantos outros que compõem um bom projeto.

Para ter uma casa geminada com esta qualidade e muitas mais, contrate um(a) bom(a) arquiteto(a) para resolver seu projeto! Clique AQUI para orçar seu projeto conosco.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Retrofit de imóvel comercial



O antigo galpão industrial/comercial possuía um grande potencial. 

Diversas características da construção faziam sua reforma valer a pena. Estas eram principalmente relacionadas ao fato de ter havido um bom projeto arquitetônico original (pé-direito alto, boa modulação estrutural, etc.), e ao bom estado de conservação estrutural e da cobertura.
Projeto e execução
A grande preocupação do cliente com a segurança do imóvel foi o desafio deste projeto, porque fortalecer as aberturas poderia tornar a construção apática em relação à rua. Esta demanda foi refletida em elementos metálicos que funcionam como brises para as grandes aberturas da área de escritório. O pergolado decorativo da esquina é o elemento de transição entre público-privado que suaviza visualmente a intenção do conjunto de cercas.
Galpão antes da reforma
A construção datava dos anos 70, tendo sido originalmente uma fábrica de beneficiamento de café. A área interna foi reformada de modo a priorizar grandes aberturas na área de escritório, que foi localizada na área lateral por ser menos exposta à rua principal e haver menos ruídos externos de veículos. Um anexo que não pertencia ao projeto original foi demolido para melhorar a iluminação natural do escritório e aumentar a área externa de jardim.
Projeto e execução da área externa - brises metálicos que atuam como cercas


Área de escritório: staff e diretoria


A área de refeitório foi especialmente pensada para ter um clima lúdico e descontraído. Foi separada da área de staff através de portas de vidro com plotagem jateada, para separar visualmente mantendo iluminação natural.

Refeitório
Área de projeto: 589 m² (show room, escritório, garagem e depósito)
Projeto arquitetônico: Montanari Arquitetura (Arq. Me. Ketlin Montanari)

Execução: GD Construções - Pomerode
Imagens: Montanari Arquitetura

segunda-feira, 26 de março de 2018

Casa grande, terreno pequeno


O terreno possuía apenas 300m² e devia abrigar 3 unidades residenciais, 5 vagas de garagem, uma grande sacada com churrasqueira e spa em uma das unidades, sacada com churrasqueira na outra unidade e ainda precisava sobrar uma área comum de jardim para as famílias. Aliás, o "verde" era um elemento importante para deixar agradável e com "cara de casa" o que provavelmente se tornaria uma massa construída e excessivamente densa numa rua aonde casas térreas e pequenas predominavam.

Os índices construtivos e recuos do terreno foram explorados ao máximo, tendo observado também a área permeável mínima exigida pela Prefeitura, o que tornou um verdadeiro desafio fazer com que cada unidade possuísse boa iluminação e ventilação naturais, cuja insolação adequada a cada tipo de ambiente também fosse observada (sol da manhã nos quartos, etc.).

Devido ao sol da tarde predominar na área frontal da casa, grandes venezianas móveis de correr foram projetadas para cobrir a área de lazer, conforme a necessidade.

Varanda da unidade de 2 quartos, com as venezianas recolhidas na lateral

A residência localizada no bairro da Velha em Blumenau SC possui 3 unidades de uma mesma família. O andar de baixo possui 2 unidades, sendo uma de 2 quartos com suíte (98,15 m²) e a outra unidade de um quarto (suíte) com lavabo (60,17 m²). O andar de cima abriga a maior unidade de 160,10 m², de 3 quartos sendo 1 suíte master, um pequeno escritório e ampla área social. Há ainda um subsolo semi-enterrado que abriga as 5 vagas de garagem e um depósito.

A unidade superior possui pé direito mais alto na área social e sacada.

O uso de cores escuras foi feito com cuidado, já que insolação direta em uma parede escura pode superaquecer seu ambiente interno e a frente da casa possui grande insolação no período da tarde.

O resultado, segundo o próprio cliente, é de uma casa que não aparenta ter a densidade construtiva que tem. Segundo a arquiteta, a casa também não agride volumetricamente a rua de pequenas casas por conta de sua área frontal bem trabalhada, que se integra visualmente na rua que não possui muros ou portões opacos, seguindo a permeabilidade e transparência frontal que já é a tipologia da rua hoje.
Vista das duas laterais da casa
Pode-se destacar como estratégias deste projeto para disfarçar a densidade construtiva: 

- A linearidade horizontal da volumetria frontal da casa (reduz visualmente a altura);

- O uso das cores;

- O uso de marquises e elementos que avançam à frente, fazendo o volume atrás ou embaixo parecer menor e tornando toda a edificação mais leve;

- A concentração de áreas de lazer abertas na frente da casa;

- A transparência do muro frontal (que não compromete a privacidade da unidade de baixo por esta estar acima do nível da rua e possuir outros elementos para isso).

Porém, outros casos de projeto podem ter diferentes estratégias, dependendo da configuração do terreno, da volumetria do entorno e das necessidades do cliente.

Área de projeto: 584 m²
Dormitórios: 3 (1 suíte master), 2 (1 suíte) e 1 (1 suíte)
Projeto arquitetônico: Montanari Arquitetura (Arq. Me. Ketlin Montanari)
Imagens: Montanari Arquitetura